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Mentalidade merengue: milímetros de diferença, quilômetros de distância




Copa do Mundo. Partida valendo eliminação. Na fase de grupos. Atual campeã do mundo. Equipe com um jogador a menos, expulso. Repetidas chances frustradas: no travessão, com o goleiro adversário, com um sistema defensivo compacto. Último lance do jogo. Acréscimos. 95 minutos de tempo corrido. 

Trazido para o futebol, o conceito de “adversidade" (talvez em uma de suas formas mais exageradas) seria ilustrado por uma situação assim que de tão bem dotada de dramas particulares parece até irreal demais para tornar-se simultaneamente o palco de uma superação. Que se assemelha mais a um clímax cinematográfico, dirigido com o intuito de elevar o limite de drama até onde se é permitido, e depois um pouco mais. 

Parir um gol salvador da pátria dadas as circunstâncias tem probabilidades matemáticas tão gritantes quanto os números que conduziram a curva do chute que Toni Kroos arriscou antes de estufar a rede sueca e colocar a Alemanha de volta no mundial. Entretanto, é também tão real quanto o time da capital espanhola que recém conquistou sua 13ª Champions League e terceira consecutiva, em grande parte devido à incrível qualidade do material humano que tem o Real Madrid em seu elenco, e que individual e coletivamente seguem definindo jogos a seu favor.

Na campanha europeia mais questionável dentre as três no que se diz respeito à qualidade do futebol praticado, o time merengue se apoiou principalmente na força mental, experiência e poder de decisão de suas peças para superar adversários fortes como PSG, Juventus, Bayern e Liverpool, garantindo vitórias mesmo quando não jogava bem ou era visivelmente superado na questão tática. Nem de longe foi incontestável. Marcava quando menos criava, ressurgia quando o adversário roubava  a cena, e fez do psicológico inabalável e da certeza de achar o caminho da vitória quase que por inércia as suas principais ferramentas.  

O tal diferencial da mentalidade vencedora madridista praticamente inabalável, exaltado por muitos, é tão do Real Madrid como time quanto é individualmente de seus jogadores. E nesta Copa do Mundo, fica ainda mais visível o quanto a habilidade de chamar uma responsabilidade para si e ser frio a ponto de convertê-la em êxtase puro marcam uma tendência dos novos dotes a serem adquiridos ou aperfeiçoados no futebol, a fim de entrar em campo sempre com vantagem e o fator de desequilíbrio a favor. 

Kroos transformou caos em glória ao tirar um gol da cartola para salvar a campanha da Alemanha, mas não foi o único atleta merengue a transportar o DNA vencedor também para a sua seleção. 

Foto: Reprodução/Getty Imagens
Cristiano Ronaldo bateu de frente contra a Espanha, incontestavelmente entre as quatro melhores seleções do mundo, praticamente sozinho. Marcando um hat-trick que não só elevou as chances de Portugal avançar às oitavas mas também os ânimos de um país inteiro, ele fez acreditar os que sabem que em seu craque há uma fortaleza não apenas física e técnica, mas que ele possui gravada em sua engrenagem a fórmula que mais lhes importa: resolver, e vencer. O 7 do Real Madrid, além de empatar a partida já nos minutos finais convertendo uma cobrança de falta impecável sob pressão esmagadora, também marcou o único gol português contra o Marrocos, em vitória essencial para manter as esperanças de avançar de fase vivas. 

Outro jogador que, assim como Cristiano, também recebeu o prêmio de melhor em campo em ambos os jogos que disputou, foi o croata Luka Modric. O meio-campista merengue — sempre consistente, praticamente inabalável e um mestre na regência de tempo e espaços — vem sendo o motor de uma Croácia que já mostrou ter grandes ambições e soma duas vitórias em dois jogos, com cinco gols marcados e nenhum sofrido, sem ainda ter enfrentado a Islândia, seleção teoricamente mais fraca do grupo. 

Foto: Reprodução/Getty Imagens
Além dos exemplos mais extremos como Kroos, Cristiano Ronaldo e Modric que tiveram participações diretas em gols e/ou converteram momentos pontuais de decisão a seu favor, há também os jogadores madridistas que seguem influindo e regendo seus times de maneiras menos expressivas (seja por função dentro de campo ou oportunidade de mudar o placar), mas não menos importantes. Entre eles, Keylor Navas pela Costa Rica e Sergio Ramos pela Espanha, ambos líderes e pilares fundamentais para a competitividade de suas seleções, e cuja importância transcende o já alto nível de seu futebol. 

Fica claro que a dinastia madridista não se limita à competições europeias ou ao futebol de clubes, e que o time de Chamartín desponta como o elenco mentalmente mais forte da atualidade. Tanto os títulos recentes do clube quanto o êxito dos embaixadores deste diferencial a nível de seleção indicam que, até mais do que a farta qualidade técnica e o talento de seus jogadores, ser o detentor do maior nível de competitividade e possuir o melhor material humano no mercado fazem do Real Madrid favorito por questões além do campo e bola de maneira pura e crua. 

O previlégio de ter um jogador deste nível no elenco já é fator desequilibrante - três ou mais, então, é o que te torna capaz de ser tricampeão europeu de maneira consecutiva, e à nível individual brilhar no cenário internacional também com diferença e sobras. Com cada vez menos espaço no futebol para se errar, e com análises minuciosas dissecando e planificando o jogo em seus mínimos detalhes, eleva-se à máxima potência a importância, o peso e a influência da força mental. De entregar o que se promete, de ser constante em um mar de imprevisibilidades. A habilidade de transformar a hesitação em certeza, o caótico em ordem, o ruído em silêncio. 

E quando Cristiano Ronaldo, Toni Kroos e Luka Modric falam, transformando em concretos os planos e cálculos mirabolantes que só parecem possíveis no encontro da adversidade com a inspiração Hollywoodiana— o mundo inteiro escuta o eco.
Mentalidade merengue: milímetros de diferença, quilômetros de distância Mentalidade merengue: milímetros de diferença, quilômetros de distância Publicadas por Giovanna Zeloni em junho 23, 2018 Mais 5